O curso é fruto de luta organizada. Ele nasceu a partir das mobilizações nacionais em torno dos 50 anos do Hip Hop
Em uma iniciativa que une a academia à cultura das ruas, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) deu início ao primeiro curso de extensão universitária do Brasil dedicado à formação de oficineiros e oficineiras da cultura Hip Hop. O projeto “Hip Hop em Extensão: formando pessoas, multiplicando a cultura” começou em novembro de 2025 e, neste mês de fevereiro de 2026, retomou as aulas para sua segunda etapa.
Hip Hop Curso de Extensão Universitária
É um curso de extensão universitária gratuito, oferecido pela UFPR em parceria com o movimento Hip Hop, organizado do Paraná. O objetivo principal é formar oficineiros e oficineiras capacitados para atuar como multiplicadores da cultura, ensinando os elementos do Hip Hop em escolas, projetos sociais, centros culturais e comunidades.
É a primeira vez no Brasil que uma universidade pública oferece uma formação específica e com certificação acadêmica para quem quer ensinar Hip Hop. O curso quebra um paradigma ao reconhecer oficialmente o Hip Hop como um campo legítimo de produção de conhecimento, identidade e transformação social, tirando-o do lugar de “lazer” ou “folclore” e o colocando como objeto de estudo e metodologia de ensino.
Quem pode participar do curso?
O curso foi desenhado para ser inclusivo. Das 60 vagas iniciais, metade foi destinada à comunidade acadêmica (estudantes da UFPR e da UTFPR) e a outra metade à comunidade externa, ou seja, qualquer pessoa interessada, especialmente os agentes culturais e jovens das periferias. Um ponto crucial é a política de ações afirmativas: metade das vagas totais é reservada para indígenas, quilombolas, pessoas negras, ciganas, mulheres, pessoas trans e pessoas com deficiência.
Estrutura do Curso
Quem ingressa no curso encontra uma formação de 40 horas, divididas em 10 encontros presenciais no Campus Rebouças da UFPR, em Curitiba. A organização pedagógica é muito elogiada por ser completa:
- Fundamentos Teóricos (2 encontros): História, filosofia e a origem do movimento Hip Hop no mundo e no Brasil.
- Imersão nos Quatro Elementos (6 encontros): Os alunos se aprofundam nos elementos MC (rap), DJ, Breaking (dança) e Graffiti, tanto na prática artística quanto em metodologias para ensinar cada um deles.
- Profissionalização (2 encontros): A etapa final ensina produção cultural, elaboração de projetos e como buscar recursos em leis de incentivo, preparando o oficineiro para o mercado de trabalho.

Professores
A coordenação e o corpo docente são formados por integrantes do próprio movimento Hip Hop, mestres e mestras com décadas de trajetória. Nomes como o DJ BK12, do GT Paraná da Construção Nacional do Hip Hop, estão à frente, garantindo que o conhecimento seja transmitido por quem vive a cultura. Eles também estão produzindo um material didático inédito e próprio, construído coletivamente.
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Certificado pela Universidade Federal do Paraná
Sim, um dos grandes atrativos é a certificação oficial da UFPR. Ao concluir o curso, o participante recebe um diploma de extensão universitária que o habilita como arte-educador no elemento do Hip Hop que escolheu aprofundar. Isso tem um peso enorme para quem busca trabalho formal em escolas, projetos do governo ou editais de cultura.
Bolsa Permanência
Um dos diferenciais mais importantes para garantir a permanência dos alunos é a oferta de 30 bolsas permanência. Essas bolsas são condicionadas à frequência nas aulas e permitem que jovens de baixa renda, muitos vindos de periferias, possam se dedicar à formação sem a pressão de precisar trabalhar no horário do curso. As bolsas foram viabilizadas por uma emenda parlamentar da deputada federal Carol Dartora (PT/PR).
Como o Hip Hop foi parar dentro da universidade pública?
O curso é fruto de uma luta organizada. Ele nasceu a partir das mobilizações nacionais em torno dos 50 anos do Hip Hop, em 2023, quando foram criados Grupos de Trabalho (GTs) estaduais. O GT Paraná promoveu rodas de conversa, encontros com universidades e ações culturais que culminaram nessa parceria com a UFPR. É um exemplo de como a pressão e a organização popular podem criar políticas públicas e conquistar espaços institucionais.
Mais informações
Todas as atividades presenciais ocorrem no Campus Rebouças da UFPR, em Curitiba. Para quem se interessou e quer saber mais sobre futuras edições, processos seletivos e a programação, o canal oficial é o perfil no Instagram: @hiphopemextensao.
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